Postagem marcada com ‘ozônio’

Hotéis apostam no uso do gás natural para garantir abastecimento

07.01.10

O setor hoteleiro da região de Campinas está apostando na geração de energia e na climatização a parir do gás natural, visando a menor dependência da rede elétrica, a menor emissão de poluentes e a redução dos custos. O Hotel Premium Norte, localizado no Bairro Nova Aparecida, às margens da Rodovia Anhanguera, por exemplo, optou pelo sistema de ar condicionado a gás natural para a climatização do recém ampliado restaurante, agora com capacidade para 300 lugares e em janeiro, substituirá o GLP do aquecedor e da cozinha. As informações foram passadas por meio de Assessoria de Imprensa.

Já o grupo Royal Palm Hotels & Resorts, também localizado às margens da Rodovia Anhanguera e um dos principais estabelecimentos do setor hoteleiro brasileiro, deve concluir, brevemente, a conversão de um gerador a diesel para diesel/gás natural (passará a consumir 30% diesel e 70% gás natural).

A medida permitirá, além da redução de emissões de poluentes, maior economia nos gastos com eletricidade, principalmente nos chamados horários de ponta (naqueles quem que existe maior demanda de consumo), período considerado mais crítico e sujeito às oscilações de carga na rede elétrica.

Eficiência e economia

No Hotel Premium Norte, a implantação do sistema de ar condicionado a gás natural permitiu um aumento de carga térmica, o que melhorou o conforto térmico no hotel com um custo-benefício menor do que o antigo sistema de climatização elétrico utilizado até então.

“Tínhamos a necessidade de uma maior potência do ar-condicionado para atender a demanda do restaurante e, a partir da parceria com a Comgás, aderimos ao gás natural como combustível por considerá-lo mais interessante e econômico”, explica o gerente do hotel, Fábio Cardoso. Ele acredita que a conta mensal de energia elétrica da ordem de R$ 2 mil apenas com o consumo do ar condicionado no restaurante seja reduzida para cerca de R$ 1.400,00 mensais.

A conta de energia é a segunda maior despesa de um hotel, depois dos encargos com funcionários, segundo o gerente. Confiante na economia obtida com a utilização do gás natural para o ar condicionado, o gerente adianta que, a partir de janeiro, o hotel também adotará esse combustível para assegurar o abastecimento de água aquecida na caldeira e cocção na cozinha. Atualmente o aquecimento da caldeira é feito com o uso do GLP (gás armazenado em cilindros) e a sua substituição pelo gás natural canalizado deve, também nesse caso, reduzir as despesas em cerca de 30%.

“O sistema de ar condicionado a gás natural oferece um custo operacional bastante competitivo com a energia elétrica, uma diversificação da matriz energética para o empreendimento, e não utiliza fluido refrigerante sintético. Além disso, tem possibilidade de produção de água quente com o rejeito de calor da queima do gás natural. O segmento de climatização na Comgás terá um volume de vendas superior a 18% em 2009, reflexo do trabalho nessa área e uma mudança cultural que vem ocorrendo. Há pouco tempo, muitos desses clientes desconheciam esse tipo de aplicação”, comenta a consultora de negócios, Nadia Lopes.

Co-geração
Outra aplicação eficiente do gás natural em estabelecimentos industriais, comerciais e de serviços é a co-geração, um processo que permite a produção de energia elétrica, térmica, de vapor (água quente ou água fria para utilização em chuveiros, torneiras, lavandeiras e sistema de ar-condicionado, por exemplo), a partir de uma única fonte de combustível. Uma das principais vantagens da co-geração é a utilização do combustível com total eficiência energética, além da garantia do auto-abastecimento de eletricidade em caso de apagão e a economia no consumo

A Comgás contabiliza, hoje, 80 clientes de co-geração, climatização e geração de energia (indústrias e estabelecimentos comerciais) no Estado de São Paulo e, em 2010, inicia o atendimento de implantação do sistema em outros hotéis na região, como em Limeira, por exemplo.

Processo da co-geração

A co-geração é um processo de produção de energia muito eficiente, pois permite o maior aproveitamento da energia útil com o mínimo de energia residual. Ou seja: aproveita-se do combustível utilizado a maior quantidade de energia, evitando desperdícios e, consequentemente, economia financeira. A sua utilização na indústria e no comércio, por exemplo, garante a redução direta dos custos da matriz energética, com ganhos indiretos pela maior continuidade operacional e melhor qualidade de energia.

Para o sistema elétrico as vantagens são a redução de perdas de energia e nenhum investimento em transmissão e distribuição de energia (linhas, torres, transformadores etc). Outras vantagens são o curto prazo para implantação dos projetos, e a utilização da energia elétrica e térmica na medida das necessidades do usuário, sem desperdícios.

Nas indústrias, o processo de co-geração a gás natural é utilizado nos processos produtivos que precisam de vapor ou resfriamento, como os setores têxtil, farmacêutico e de produção de borracha. No comércio e serviços, a co-geração é muito utilizada para o acionamento de motores ou turbinas a gás natural, geralmente nos estabelecimentos que possuem unidades centrais de condicionamento de ar e de aquecimento de água, como shopping centers, hipermercados, edifícios comerciais, hotéis, clubes, hospitais, aeroportos etc.

Meio ambiente

A geração de energia elétrica a partir da co-geração tem uma série de vantagens em relação a uma termelétrica. Uma das mais importantes é relacionada à alta eficiência. No processo de co-geração são aproveitados cerca de 90% do gás empregado no processo. Já em uma termelétrica, a eficiência cai para 50%. Quando usada para refrigeração, a co-geração, além de ser mais econômica, contribui com o meio ambiente por não necessitar do CFC (cloro-fluor-carbono), um dos gases mais danosos à camada de ozônio, responsável pela proteção do planeta contra os raios ultravioletas.

Comgás

A Comgás tem um papel facilitador no mercado de co-geração e climatização, identificando as necessidades energéticas dos clientes e indicando parceiros habilitados para supri-las. Na prática, a empresa utiliza sua experiência e conhecimento do mercado de gás natural através de sua equipe de consultores de negócio para identificar oportunidades de melhoria na gestão energética das empresas usando o gás natural.

A partir daí a equipe seleciona o parceiro mais adequado para formatar a solução de co-geração e climatização. A Comgás oferece todo suporte necessário no desenvolvimento e implementação dos projetos, incluindo a proposta comercial para o fornecimento do gás natural, buscando oferecer o máximo de competitividade ao mercado.

Em 2008, o volume de gás fornecido pela Comgás para esses segmentos expandiu 35% em relação a 2007, atingindo o total de 308 milhões de metros cúbicos. Em 2009 o total será superior a 322 milhões de metros cúbicos.

fonte: Jornal de Vinhedo

Buraco de ozônio retém frio na Antártida

09.12.09

EDUARDO GERAQUE
enviado especial da Folha de S. Paulo à Antártida

REINALDO JOSÉ LOPES
da Folha de S. Paulo

O temido buraco de ozônio na atmosfera acima da Antártida funciona, paradoxalmente, como um escudo do continente gelado contra o aquecimento que assola o planeta. É só por isso que as terras antárticas ainda não esquentaram tanto quanto o resto do globo, mostra um relatório divulgado nesta terça-feira (1º).

A descoberta ajuda a entender porque, às portas do verão na Antártida, os mais de 50 ocupantes atuais da Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira no continente, passaram 48 horas confinados entre a manhã de domingo e ontem. A equipe teve de se abrigar de ventos com mais de 100 km/h e sensação térmica de 20 °C negativos.

Eduardo Knapp/Folha Imagem

Há, portanto, um dilema: conforme o rombo na camada de ozônio for se fechando, o que deve acontecer completamente até o fim deste século, é provável que o aumento das temperaturas finalmente atinja o coração da Antártida, dizem os cientistas do Scar (Comitê Científico de Pesquisa Antártica), responsáveis pelo novo relatório (www.scar.org).

Nos próximos anos, o gelo marinho vai diminuir. Ele está aumentando no momento, mas não será mais assim quando o buraco de ozônio fechar –de fato, vamos perder um terço do gelo marinho, declarou o diretor-executivo do Scar, Colin Summerhayes, à agência internacional de notícias Reuters.

O relatório divulgado ontem, que reuniu dados gerados por mais de cem cientistas de oito países, chama a descoberta dessa blindagem do buraco de ozônio de extraordinária.

Para Jefferson Simões, glaciologista da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o trabalho consolida os dados sobre as alterações que o aquecimento já traz para a Antártida.

Faz todo o sentido afirmar que o buraco de ozônio está mesmo protegendo o continente antártico, diz Luciano Marani, pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) responsável pelas medições da camada de ozônio na estação brasileira.

Editoria de Arte/Folha Imagem

Ultravioleta

O mecanismo é simples, explica Simões. As moléculas de ozônio absorvem a radiação ultravioleta do Sol, ajudando a esquentar a estratosfera, fatia da alta atmosfera onde se encontram.

Com menos ozônio estratosférico à disposição, esse pedaço da atmosfera esfria. E isso, por sua vez, fortalece o vórtice polar –um imenso redemoinho que domina a circulação de ar sobre o continente austral e mantém a Antártida normalmente fria (veja quadro acima).

A força desse vórtice depende do gradiente [ou seja, da diferença] de temperatura entre a região polar e o resto do planeta. Com o vórtice mais frio, esse gradiente aumenta, fazendo com que ele gire com mais força, diz Simões.

Resultado: os ventos violentos criam uma espécie de muralha de ar entre a Antártida e os demais continentes, o que explica a falta de um aquecimento considerável no continente austral.

O calcanhar-de-aquiles dessa armadura de ventos, contudo, é a península Antártica, o braço do continente que avança para o oceano e, portanto, está mais sujeito a influências externas.

Na península, a precipitação de verão está deixando de ser neve para virar chuva. Noventa por cento das geleiras peninsulares recuaram nas últimas décadas.

As mudanças já estão causando reviravoltas significativas na fauna e na flora da área. Plantas terrestres, que antes não conseguiam deitar raízes na península, agora conseguem crescer nela. Populações de pinguins-de-adélia estão em declínio, à medida que o krill, minúsculo crustáceo que é seu principal alimento, torna-se cada vez menos abundante.

Mar que sobe

Com o buraco de ozônio em declínio, espera-se que as geleiras da Antártida continental propriamente dita, em especial do oeste do continente, passem a perder gelo, com contribuição significativa para um aumento do nível do mar –cerca de 1,4 metro até 2100, diz o relatório.

No entanto, o aumento projetado de temperatura até o fim do século -algo em torno de 3 °C- não deve ser suficiente para derreter a maioria do gelo continental antártico. E as bolhas de ar presas nas camadas mais profundas e antigas das geleiras mostram que a atual concentração de gases-estufa na atmosfera é a maior dos últimos 800 mil anos.

Folha Online – SP – AMBIENTE – 02/12/2009

 
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